Wanderlust

Um dia desses eu acordei e percebi que não estava tudo bem comigo. Assim, um sentimento de que falta algo… É uma vontade, assim, de mudar tudo. De sair da zona de conforto, de explorar tudo o que é desconhecido.

Talvez tenha a ver com o pensamento base da geração Y: faça o que você ama, e não terá que trabalhar um só dia na vida (ou algo assim). Declaro que me encontro dentro da parcela de pessoas desta geração que ainda não encontrou o que ama – e sei que não estou sozinha. Quem está comigo nessa entenderá: não é que eu não goste do que faço hoje, e não me arrependo do caminho que trilhei para chegar até aqui. É simplesmente aquele pensamento de que há tanto mais para ver, para fazer, para sentir… De repente, estas paredes, estas ruas, esta cidade… Tudo parece pequeno.

O sentimento é de começar do zero, é de pegar a mochila, agarrar na mão de quem quiser ir comigo, e de ir para qualquer lugar que seja diferente. Uma coisa, assim, meio Na Natureza Selvagem (apesar que um pouco menos solitário). Um sentimento de que, na verdade, o que eu realmente amo, eu vou encontrar por aí, quando tentar novas possibilidades.

Afinal de contas, minha gente, o mundo é muito grande e nós somos pequenos por demais. Não é uma questão de encontrar quem sou, mas sim de encontrar aquilo que eu amo. Talvez seja, sim, uma ideia meio “geração Y”, mas é fato que o mundo é feito de cento e noventa e poucos países, muitas culturas, muitos modos de viver… E com certeza, meu coração está aberto a cada um deles.

Agora o momento é de mudar muito, arriscar tudo. Não é fácil, não é barato e não é simples assim, mas vale a pena. Afinal, não tenho nada a perder e muito, mas muito a ganhar: o amor, pessoal, é uma recompensa e tanto.

 

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Sobre a calma e o tempo certo das coisas

Sempre fui ansiosa demais.
Já cheguei a pensar se sofria do mal da ansiedade, aquele sério. Mas não, acho que meu problema é simplesmente não saber deixar as coisas rolarem e acontecerem de forma natural.

Para tudo eu faço planos. Quando sei que tenho 1000 coisas para resolver, planejo cada minuto do meu dia, de forma que absolutamente nada pode sair do meu itinerário. Transformo 24 horas em 48. Já deixei pessoas falando sozinhas e saí no meio do assunto, tudo para não atrasar nenhum minuto. Já deixei de conversar com pessoas queridas. Sair do planejamento, jamais.

A verdade é que, quando há muitas coisas incertas no meu futuro, coisas que simplesmente não dependem só de mim para acontecer, eu quero ter o máximo de controle possível sobre elas. Na minha cabeça, à noite, na hora de dormir, cada questão não resolvida, cada detalhe que pode dar errado, cada problema que virou para trás, tudo isso se tornam monstros me tirando o sono.O pior de tudo é que, no momento da noite em que estes fantasmas de empecilhos futuros aparecem, eles aumentam todas as proporções. Nesta hora, um probleminha que nem te incomodaria tanto em outro momento, se torna gigante, imenso, quase insolucionável. Que difícil dormir com isto na cabeça!

A questão, meus caros, é que nenhum planejamento é mais forte que o acaso. Um pneu furado, uma dor de barriga, um acidente de trabalho… Coisas da vida, coisas que jogam seus planos no chão. Infelizmente, aprendi isto da pior forma. O controle que podemos exercer sobre os acontecimentos é escorregadio, frágil. O acaso, quando nos prega peças, acaba jogando por terra todas as noites que passamos em claro, tentando resolver na nossa cabeça problemas que ainda nem chegaram.

Por isto, este é meu exercício de hoje (de hoje não, aliás, de hoje em diante): no momento em que tudo parece um caos, naquele momento em houver tantos problemas para resolver, no momento em que parece que temos o mundo nas costas: pare, respire, acalme-se.
E nessa hora, pense bem: há alguma coisa que eu possa fazer para encontrar a solução agora? Se sim, vamos resolver. Se não, acredite: a solução vai aparecer, mais cedo ou mais tarde. Vai haver um jeito. Isto se chama “deixar rolar”. A vida segue. A manhã sempre traz as respostas certas, sempre traz o pensamento mais coerente. A calma é amiga da perfeição.

Por fim, concluo: tem calma, meu bem. Tudo vai dar certo.

 

 

O dia em que virei escrava do meu celular

Nasci em 1991. Minha geração praticamente viu a tecnologia passar de “luxo” para “essencial”.
Quer dizer, o primeiro computador que apareceu aqui em casa foi um que meu pai trouxe da empresa onde ele trabalhava, pois o pessoal lá ia descartar. Ele pediu permissão, e trouxe. Era o máximo: só o que dava pra fazer era jogar Socoban e Tetris, mas era demais.
Pouco tempo depois, apareceu a internet – limitada aos finais de semana e da meia noite às seis. Depois, o Google. Depois, todo mundo passou a ter celular. E depois, celular que tira foto (!!!). Depois, internet. E aí, já era.

Hoje, ter um celular que tem todas as funções acima citadas e ainda faz ligações (serviço que já é praticamente dispensável) causou no mundo o que todo mundo já sabe: as pessoas só se conversam pelo celular – e ele se tornou também uma desculpa para não se relacionar com ninguém. O tal do tímido está salvo: pode ir na festa e não interagir com nenhum dos presentes; ele pode só ficar lá, olhando a timeline do facebook… E ninguém acha nem estranho.

É engraçado como eu fico irritada ao ver isto acontecendo, ao passo que eu mesma, muitas vezes, sou aquela pessoa que está na festa, mexendo no celular. A diversão do grupo de amigos é, ao invés de jogar papo fora, tomando cerveja e dando risada, é ficar em volta de um celular, vendo um vídeo (normalmente cujo protagonista é um gato) e dando risada (que morre em poucos segundos. Encontre logo outro vídeo de gato, ou saia do círculo sem assunto).

E tem mais: hoje, ninguém mais tem dúvida de nada. É possível saber de absolutamente tudo instantaneamente: Vide exemplo:
– Cara, viu aquele filme novo que saiu no cinema?
– Putz, cara, não vi ainda. É bom?
– É ótimo! É com aquele ator, o Brad Pitt.
– Puxa.. Sabe que agora eu não estou lembrando quem ele é? Me deu um branco!!
E pá! Na mesma hora, o primeiro cara já tem milhares de fotos do Brad Pitt disponíveis online para que o outro possa refrescar a memória e… O assunto morre. Em 1990, era preciso longos minutos de conversa para que nos lembrássemos de um filme, que vimos anos atrás e que por acaso tinha o tal do Brad Pitt (já tinha filmes dele em 1990? Vou ver aqui no meu celular).

Não temos mais o benefício da dúvida. Não podemos mais errar… Se deixamos escapar que o sapatinho da Dorothy era azul, na mesma hora tem 10 celulares na sua frente para te provar que era vermelho. Se temos problemas em lembrar em que ilha Napoleão foi exilado, nada de pensar: a resposta está a um slide to unlock de distância. E sinceramente… Isso é meio chato.

E o pior foi descobrir que a pessoa chata com o celular na mão… Sou eu.
No momento desta epifania, quase tive uma crise: quis sair das redes sociais, sair do Whatsapp, jogar meu celular fora… E aí me toquei de outra coisa pior ainda: não estar nas redes sociais, em 2016, é como não existir (como vou me comunicar com as pessoas? Como vou divulgar meu trabalho profissional?). Sair de um grupo de conversa é como declarar fim de amizade aos outros integrantes. Não, as redes ficam. O que deve mudar é o meu comportamento em relação a elas.

Algum dia voltaremos às longas e boas conversas que as pessoas tinham antes do celular? Vejam bem: não sou contra o avanço da tecnologia, mas sou contra o retrocesso das interações pessoais. Quantas vezes nos escondemos de conhecidos (vistos de relance pela rua, pelo metrô), para podermos ficar vendo seja lá o que for no celular?
E quando temos um contato qualquer, com quem temos conversas deliciosas online e, quando encontramos pessoalmente, só conseguimos falar da droga do vídeo do gato que compartilhamos numa conversa?

Minha resolução de hoje é: menos celular, mais cerveja, mais papo sobre filmes (sem google para dar as respostas), mais risadas sinceras e, principalmente, mais momentos, mais amigos. Crie mais intimidade com as pessoas pessoalmente. Declare seu amor, olho no olho. Se for para declarar seu ódio, que seja cara a cara também, e não com indiretinha pelo facebook… E permita-se deixar o celular em casa só uma vez. Acredite: você vai sobreviver.

Liberte-se do celular. Não dependa da sua limitada bateria para poder manter uma conversa. Deixe de lado o papinho de “introvertido” e faça amizades. Lembre-se sempre: o dono do seu celular é você. Não deixe que seja o contrário!

 

 

Fazer o bem, que mal tem?

Estes dias estava vendo uma série de TV americana, sitcom, e em um dos episódios segue um diálogo, que era mais ou menos assim:
– O que você quer fazer da sua vida?, pergunta ele.
– Quero acabar com a pobreza do mundo – respondeu ela.
– Então, todas as decisões que você tomar daqui pra frente devem ser em função disto.

A personagem resolveu estudar economia. Ela sabia que seria impossível acabar com a pobreza, mas ela tentaria, com seu esforço, melhorar um pouco a situação do mundo.

Daí então, me peguei pensando: o que eu quero fazer pelo mundo?

Acho que hoje, o que mais me magoa em ver as relações da sociedade é a falta de amor, a falta de empatia. É tão fácil falar mal. É tão fácil encher a boca para dizer que um é isto, o outro é aquilo. Em nenhum momento paramos para pensar que aquela pessoa de quem falamos com tanto prazer tem sentimentos, sonhos, vontades.

Cada pessoa passa por dificuldades, lutas que ninguém conhece. Por que condenar alguém por ter assumido sua sexualidade? Acredite: foi mais difícil para ele/a compreender quem era, do que é para você aceitar.
Por que criticar uma pessoa que pesa mais do que um determinado padrão? Tenha certeza que para esta pessoa, aceitar e amar o próprio corpo foi uma luta da qual você não sabe nada a respeito.

Não é uma questão ideológica (de apoiar ou não o homossexualismo, ou de questionar ou não a ditadura da beleza), mas sim de uma compreensão sentimental: nós não temos absolutamente nada a ver com o que o outro escolhe para si. Devemos apenas respeitar a todos, e entender que na vida do outro, tudo já está sendo bem difícil sem o nosso julgamento vazio sobre o que achamos que é certo ou errado.

(foto: Gabriel Pestana)

Da forma que eu vejo, respeitar é demonstrar amor. Respeito é um dos pilares do amor. E o amor não vê crença, religião, partido político, time de futebol, cor de pele, sexo, tamanho de roupa. O amor enxerga o coração. O amor enxerga as feridas que nossa língua pode causar.

Depois de tudo isto, volto à pergunta inicial: o que eu quero fazer pelo mundo?

Eu sei que sozinha, não vou conseguir fazer o mundo se amar mais. Não sou tão ingênua. mas posso começar pelo simples: fazendo o bem. Respeitando mais. Calando minha boca ao perceber que o que eu tenho a dizer do outro não é nada de bom. Pensando que, o que eu estou louca para falar de fulano, poderia me magoar se eu fosse o assunto. Deixando o outro viver sua vida e ser feliz, e ter certeza de que a minha felicidade não vai depender daquele que ainda não aprendeu a amar…